Há agradinhos que me permito e que me encantam. Como ir ao sebo e garimpar, garimpar, garimpar. Sebos, antiquários e brechós me fascinam pela fatia generosa de inesperado. O que há nas prateleiras é sempre uma incógnita. De óbvio, apenas a ordem alfabética e as áreas de interesse com que são organizados os livros, os LPs, CDs e filmes. É um bálsamo nesse mundo de previsibilidades, tudo tão cronometrado, agendado, carimbado e coisa e tal. Um universo inteirinho ávido por um descobridor ou, quando mais, um invasor. Suponho que quem descobriu a tumba de Tutancâmon deve ter sentido o mesmo que sinto quando tenho nas mãos um livro raro, desses preciosos de edição esgotada, ou aquele livrinho que foi referência na infância ou adolescência e que a memória havia amarelecido e, como num passe de mágica, colore o meu dia a olhos vistos. São obras marcadas pelos detalhes dos antigos donos, que ficaram relegadas ao esquecimento e ao abandono. Há, às vezes, um papelzinho marcando páginas, uma flor seca, uma anotação espaça ou uma dedicatória generosa. E aí chego eu.
E o que garimpei na última sexta-feira? Uma edição italiana - e esgotada – de um estudo sobre erotismo à luz da psicanálise, de Francesco Alberoni; outro livro interessantíssimo: “Pornografia e sexualidade no Brasil”, de Carlos Roberto, que é uma dissertação de mestrado em sociologia (UFRGS) sobre a organização da sexualidade à luz de Freud, Reich e Marcuse em terras tupiniquins. E sobre música? Um CD do Yanni - “In my time” (lindo!!! – com o Yanni de bigodão e tudo rss), a trilha sonora do Vangelis – “1492 - The conquest of paradise” e alguns LPs de tirar o meu fôlego! Quais? Primeiro, alguns LPs do Roberto Carlos (para minha mãe que é fã rss), outros cinco da Maria Bethânia, incluindo o álbum “Álibi” em que ela interpreta canções como “Cálice, “Explode coração” e “Negue” – todos os cinco sem comentário, amo!; o álbum “Poems, prayers and promesses” do Jhon Denver ( com “Sunshine on my sholders”!!!!!!), o álbum “De volta ao começo” do Gonzaguinha, o álbum “Este mundo” do Gipsy Kings (para agradar a menina, obviamente....), e - rsss isso que fico criticando o Restart ... – o álbum “Polegar” do Polegar com as minhas músicas de pré-adolescente rsss. E, acreditem, uma edição especial comemorativa que foi lançada quando Elvis morreu: “Our memories of Elvis”, contendo suas canções inesquecíveis selecionadas por seu pai e Colonel. Tem coisa melhor?
Saí do sebo da Catedral e fui saltitante para a Esplanada comendo bombons de licor de anis e ouvindo Yanii. E agradecendo por aquela tarde maravilhosa!
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
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