Estive pensando sobre meu processo de criação, o modo como conduzo a escrita. É nítida a necessidade de escrever sobre o que sinto no momento. E tudo visceral e imperativo. Como sempre. O mais ou menos me paraliza. Ou é ou não é. :)
Portanto, este mês, publico na MeuSUL um artigo falando de um bem precioso, que não é tão importante quando pai, mãe, irmãos e filhos, embora permeie tais relações: a amizade.
Aos amigos de hoje e de sempre, e aos que - sinto - virão a ser.
Aproveito, também, para fazer a divulgação da revista, que tem ampla repercursão aqui no Sul catarinse. Aos interessados, vale a pena investir no marketing de sua empresa através da publicação.
Forte abraço, Paz Profunda,
Chaiene Berndt Orben
Ab imo pectore*
Chaiene Berndt Orben
Ser amigo é movimento contrário a ter amigo. Em tempos como estes, em que a descartabilidade de tudo permeia as relações e os vínculos, o outro passa a ser objeto que pode – ou não – ser refutado se esse não mais lhe convém.
Penso, com frequência, na solitária raposa de O Pequeno Príncipe que, ardilosamente, diz que nos tornamos eternamente responsáveis pelo que cativamos. Tornar cativo é tornar preso, ficando sob o julgo do outro que, a qualquer momento, pode – ou não – tornar-nos libertos. Manter cativo dá a raposa espaço para as suas vaidades e tramas, já que o Principezinho (sim, no diminutivo) será responsável por qualquer coisa que aconteça dentro do cativeiro.
Ser amigo é ir além. É, mais que tudo, permitir-se a sinceridade doída de falar e ouvir o que é necessário; não apontar caminhos, antes trazer à luz o que não ilumina na caminhada do outro. É estar, independentemente de tempo e espaço, energeticamente ligado ao outro não por demanda de apego, mas porque é tão bom saborear a descoberta, a troca e as lições que a vida tem a oferecer enquanto a relação amadurece.
O que é precioso sempre permanece, independentemente de quantos puxões de orelha sejam dados ou se ganhe, apesar de chorar ou rir com ou pelo amigo. Se for imperativo ir embora, bater a porta e nunca mais? Sim, acontece – e como! Mas atrás de tempo, tempo vem. E o que é amizade, permanece. Porque um amigo reconhece no outro a vontade de plenitude expressa na natural afabilidade ou na necessária aspereza da palavra.
São as mudanças as quais nos sujeitamos em nome da nossa evolução enquanto seres humanos em busca de si e do aperfeiçoamento das relações a qual, aí sim estamos sujeitos - nunca sujeitados -, que nos alavancam. Porque amizade também é escolha. É compromisso com um bem muito maior que aquele que queremos ao nosso próprio umbigo.
O tempo é tão breve. Por que não tornar infinito em profundidade e dimensão o que sentimos ser verdadeiro, ao invés de nos apegarmos ao que é efêmero? Em nome de quê, de quem? Somos as nossas escolhas e o reflexo delas e elas, por sua vez, o eco que emitimos ao universo.
Amigo a gente não conta nos dedos, sabe-os de cor. Sempre. Como a música na voz honesta de Milton Nascimento, a gente os guarda do lado esquerdo do peito, dentro do coração.
*Expressão latina que quer dizer “Do fundo do meu coração”.
domingo, 26 de junho de 2011
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