Faz uma sábado bonito. Há aquela réstia de sol entre as nuvens, um ar fresco de brisa matutina.
Sentada aqui na varanda, vendo essa extensão de morros e verdes, penso no fazer desses dias de descanso. Lanço no amanhã o mar, um afrouxamento de mato e rio, a relva cachoeiras curvas frio e luz da Serra Geral. Penso num lugar bonito com água - sob o zelo de Oxum Yemanjá. Um dia inteiro, só meu. Não uma manhã ou uma tarde ou uma noite sem começo meio fim. Um algo pleno. Só meu. Um eu comigo.
Aonde vou amanhã?
Da última vez que estive na Serra não lembro nem recordo. A paisagem era coisa outra e externa. Havia, sob a superfície das falas, das mãos e do azul dos meus olhos um mar muito mais abismo que a sua encosta. Sob esse infinito sem começo meio e fim, jaz um tesouro. E mesmo que a maré suba, e mesmo que a nau do oriente regresse do naufrágio, estará ela ali, intacta. Como uma pérola que antes foi coisa outra na sua casa de nácar.
Chaiene
sábado, 5 de março de 2011
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