quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Claude Monet: "Cliffs near Dieppe" (1882) - Zurich, Kunsthaus



Faz noite. Ela está toda linda: uma brisa fria, réstia do vento que tomou manhã e tarde, uma lua que se prenuncia sob a segunda face da Grande Mãe. Não há ruído que se distingue fora o farfalhar das folhas das palmeiras, ou um cachorro ao longe. Estamos nós aqui, eu e o silêncio extensão de uma urgência que não defino, mas adivinho o endereço.
Olho para as estrelas. Como são lindas! “Somos poeira estelar”, dizia aquela personagem do romance símbolo de minha adolescência. “Não te perde do caminho da estrela” disse Nicolau, meu aluninho, em sonho, há uns 7 anos.
Sempre penso nisso, no significado de seu dedo riste, o olhar atento em minha direção e a boca pronunciando meu sentido de urgência mais voraz: medo de me perder do meu caminho.
Estou repleta de afeto e uma certeza de algo distante e próximo ao mesmo tempo.
Desejo amar e ser amada. De verdade. Sem platonismos, distâncias ou qualquer ponta de mentira e subterfúgios. Existe?
...
Descobri que minha miopia piorou. Ver o mundo a la Monet não está mais sendo possível. Passou de opção à necessidade a invenção de Spinoza.
Chaie Berndt

:)

1 comentários:

Anônimo disse...

Cá estava eu dando uma "volta" pela Internet e acho seu Blog, minha Ex-professora.
Muito Obrigado por essas sábias palavras Chaie.

Um Grande Abraço,
Murialdo Margotti Tezza.