"Sempre chega a hora em que descobrimos que sabíamos muito mais do que antes julgávamos". José Saramago
Não ando com vontade de escrever, embora a teima em registrar um quê, pelo menos, do que se passa cotidianamente me pareça ser imperativo.
Quem me lê com frequência - e sei que há (como disse Saramago em uma de suas entrevistas, "se há, é porque existe"), deve criar juizo, relembrar ou mesmo pensar sobre o que escrevo. Ou em mim.
A escrita nos revela, por demais. Por isso os temas que escolho - seguindo ou não a minha lógica de vivência e devaneio - é regida mais pelo momento em que, sentada em frente ao computador, deixo fluir sem muito controle o fluxo de imagens. E são belas, algumas. Nada descarto, embora sinta vontade às vezes. Sim, camuflo também. Por acaso vou dizer abertamente sobre um affair? E sobre tintos? Aquela notícia boa para o ano que vem? Não. Não é do meu caráter tirar todos os véus. Há coisas que nem camufladas sob as palavras. "Estranho mistério" tem que ser o escritor, não dar a elas, as palavras, tanto poder - ou mais do que já possuem.
E falta dizer...
Ouvi da boca de uma pessoa querida que há certas coisas que por força não do tempo, mas nossa, devem ser esquecidas; matar, se preciso. E é. Por mais que doa a constatação - e dói -, pois a a gente alimenta a ilusão de que há, mas no fundo e na superfície nunca existiram.
Chaie
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
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