domingo, 4 de outubro de 2009


O que importa mesmo? :)

Gosto de cinema. Em casa mesmo. Com direito a pijama, xícaras de chá ou café e muitos travesseiros na cama.

Tenho visto, pela segunda, terceira, até quarta vez algumas películas que me marcaram. Sabe aqueles roteiros bem feitos, a fotografia com aqueles planos certos na hora certa, a trilha sonora que você cantarola? Com frequência é o cinema europeu que me toca, principalmente o italiano (preciso dizer que sou apaixonada pelo Tornatore?). Mas às vezes fujo à minha regra particular.

Este final de semana assisti "Thelma e Louise", "Gilbert Grape", "O Leitor",
"Brilho eterno de uma mente sem lembranças" e "As férias das minha vida".
Cada um com suas particularidades. Gosto de filmes que mostrem coisas que me surpreendam, mesmo que sejam clichê. Vale o "como", não exatamente o "o que".

Thelma e Louise é um filme da década de 80. As protagonistas têm química, os planos são ótimos. A paisagem árida. E que paisagem - incluindo a do Brad Pit seminu. Acho que este é o primeiro filme em que vejo "shit" sendo traduzido na legenda como "merda", e não "droga" e "Oh my God" como "caramba". Ri sozinha ouvindo os estragemas do tipo "segura homem" de Thelma e Louise ( hello, Cris! rss). Ai, isso me irrita e cansa. Se é, é e pronto. Juro que assistindo ao filme senti uma vontade indomável hahah de sair sem rumo. Já me imaginou sair sem rumo, Formiguinha Torrão de Açúcar?Mas para onde?

Gilbert vivia numa casa que é o avesso da minha. Sua fuga parece um bem inevitável. Como diz Lygia Fagundes Telles em "A disciplina do amor": ah! vontade de fugir sem olhar para trás, desatino e alegria de um cavalo selvagem, os fogosos cavalos de crina e narinas frementes, escapando do laço do caçador. Fiz uma análise desse conto/crônica na minha especialização em Literatura Brasileira: Produção Contemporânea. Uma época de decisões. E certeza de que a fuga, em certos casos, não é a melhor saída. Deveria ter feito isso. Nunca fui muito boa com rupturas, mesmo as necessárias. Do momento, atos que soterravam lembranças. Engraçado como a gente quer esconder coisas da gente, inventar brincadeiras de esquecimento, ativa saudades, recolhe mágoas e entorna-as no chão. (Dia desses posto a análise, você vai ver.)

Já pensou em apagar determinadas lembranças? :) Assista "Brilho eterno de uma mente sem lembranças". Devo ter assistido umas 4 vezes, em cada uma vejo algo que não vi na anterior. O personagem se agarrado às lembranças, não querendo apagá-las. Somos o que vivemos, sim somos isso: a soma de todas as experiências, sejam elas positivas ou não, estejam elas guardadas ou, por força interior, fadadas ao esquecimento de propósito. Não quero nenhuma lembrança arrancada de mim. Todas as vivências me fizeram e continuam fazendo enquanto saudade, recordação.

Saldo do final de semana: "você tem o que escolhe" segundo Louise, "não importa como começa, importa é como termina", segundo a personagem de Gérard Depardieu notro filme desse final de semana oblíquo.
Há coisas que o tempo não apaga, há saudades hoje divididas e uma certeza: algo começou num tempo longe, não terminou. Importa como termina, ou melhor: continua, dizem. Comigo está valendo o "como" lidar. Há espaço para tudo, desde me permitir, até deixar de vez o passado planger baixinho. Psiiiiiiiiiii
:)


Chaie :)

1 comentários:

Juan Carlo Moravagine disse...

Sempre tive uma mania estranha ao assistir filmes, quando aparece uma cena que acho interessante, eu congelo o filme e fico pensando nela, nos personagens, etc...Vou pegar café...ver algo que acho parecido na prateleira....talvez eu esteja ficando louco.