"Se julgamos as pessoas, não temos tempo para amá-las". Mark Twain
O tempo, o acaso. O momento rege as circunstâncias e não há, por vezes, solução mais sensata - embora angustiante: aceitar a vida sob sua ótica, que é a da mudança.
Há tempos em que a recordação, a saudade se configuram tão certas quanto o que trivialmente entendemos como certas no mundo concreto: um copo d’água, a meia nos pés, a buzina no trânsito. Chega a ser palpável, é sensação física. Mas algo que não há como medir. Não é como o copo d’água, a meia nos pés ou o som de alerta no trânsito: não se pode dizer que é muito, pouco, frio, de lã, alto ou baixo. Simplesmente é.
Um turbilhão de cheiros – o da noite, do mar -, de música e risos e um sentido de urgência que me motiva a crer além de convenções.
Não tem, nessas horas, como não lembrar de Neruda. Foi à noite, segurando o livro, que recitava os versos cujo significado plangem, plangem, plangem...
“Como uma flor a seu perfume, estou atado a tua lembrança imprecisa: se me tocas, causarás um dano irremediável”.
A vida. Lembro do I Ching quando de ti... Assim como a água descendo a montanha, diante de nada recua, diante de nada insiste; mergulha, desvia, contorna, adapta-se sem resistência e chega, pois, infalivelmente ao que lhe corresponde.
E falta dizer...
Ademar, amigo e mestre, disse certa vez que quando a gente ama não é imperativo estar junto; o importante quando a gente ama é deixar o outro seguir seu caminho. E segue. E a gente deixa...
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
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