sexta-feira, 10 de abril de 2009


I. Da vontade


Acordei com vontade de chupar laranja no pé. Sonhei com laranjas - amarelinhas, o cheio forte da casca, a casca em caracol, o sumo. Hummm
Já sonhei com chuchus, mas foi num outro tempo. E com amoras também...

Quando menina, na casa em que morava, era toda ela quintal e jardim. Os lotes baldios que existiam do outro lado da estrada eram de mato pelos ombros e árvores bonitas, altas. Tinha uma nascente. Brincava nesse terreno terra-de-ninguém sempre, sempre. Tinha vezes em que eu não queria ser vista: ou ia esconder-me onde nascia a água, ou subia na goiabeira do meu quintal. ficava quieta, num calado sentido de melancolia. E as amoras? Gostava de procurá-las porque poderia contar com o inesperado. Como era bom descobrir mais um pé de amora! Aquele terreno era minha jaziga particular. A preciosidade consistia no empenho de lançar-me à busca, em recolher o abandono da surpresa de uma amora inesperda. E comê-la sem pressa de volta para o reino de perfeição e aconchego que sempre foi aquela casa de minha infância curiosa.
Que saudades. Que saudades...


E falta dizer...
O engenho da busca e a fome pelo encontro ensinaram que existem "pseudo-amoras".

Chaie Berndt

2 comentários:

Gass Cockster disse...

PROFESSORA ETERNA (L)
eis minha inspiraçao de literatura :D
AHAUIAOIUAHAIHAHAUIHAU
meu blog é http://iamgass.blospot.com

Beijao ;*

Lilith Sophia disse...

Quanta sensibilidade tem você, Felipe! Contente, contente por vê-lo dedicando-se à literatura. :)