O que sentem os homens do mar?
No que pensam sentindo-se navegado com tanta água e céu?
O mar, desde menina, é meu amigo. Não tive a surpresa de conhecê-lo com olhos já feitos. Cresci fazendo-me de maresias, areia e conchas todos os verões. Embora o pasmo incial do primeiro encontro não seja lembrança nítiva, cravou um sentido de reverência por força do tempo, e com ele vivências sob suas márgens em mim.
Sabia-me, até ontem, encantada por conchas - poucas formas e significados me encantam tanto...; depois de ontem, por barcos.
Já havia lido, além dos poemas que tanto amo, que Neruda tinha verdadeira paixão por embarcações, embora tivesse medo de navegar. Suas casas repletas, cheias de tesouros marinhos - conchas, peixes, lemes, sereias -, a aquitetura lembrando barcos...
Quando descubro algo que gosto me dá uma sensação boa, porque nova. E aquela lembrança perdida de que a gente só ama o que conhece. Sei muito pouco, meu amor é restrito. Há muito dele. O que tudo irei amar? :)
Tão boa essa certeza...
* A foto foi tirada na sala em que Neruda escrevia. Créditos para o Rubson, pessoa querida que em fevereiro esteve no Chile e trouxe a foto especialmente para mim. Thanks, friend!


